São Núncio Sulprízio — 5 de Maio

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Por Olívia Rodrigues

Núncio nasceu, a 13 de Abril de 1817, em Pescosansonesco, Itália, no seio de uma família católica, mas muito pobre.

Como os pais faleceram quando contava seis anos de idade, coube à avó materna educar esta criança: meiga, dócil, generosa e muito comunicativa, mas, somente, durante três anos, porque a senhora, que o ensinou a rezar e a praticar as virtudes cristãs, veio a falecer também: razão pela qual, passou a viver com um tio materno, ferreiro de profissão, homem duro, exigente e possessivo que tornou a vida deste garoto num verdadeiro inferno.

Núncio teve de deixar de estudar, sendo obrigado a executar trabalhos demasiado pesados para a sua idade; entregá-los a clientes longínquos, percorrendo longas distâncias a pé, ao frio, ao calor ou sob o efeito da neve, mal agasalhado, muitas vezes com fome e com sede, pois o parente descarregava nele todas as suas frustrações, castigando-o sem motivo.

Perante tais circunstâncias, o menino fragilizado, contraiu uma carcoma na perna esquerda, junto ao pé, inconvenientemente tratada: pois o tio exigia trabalho. Mesmo assim, nunca se revoltou, entregava todo o seu sofrimento ao Senhor, a quem queria consagrar toda a sua vida: “Em reparação pelos pecados do mundo, para fazer a vontade de Deus e ganhar o Paraíso”.

Quando o tio paterno, Francesco Sulprízio, teve conhecimento da situação: pediu ajuda para o sobrinho, a um homem de Nápoles – o coronel Felice Wochinger – conhecido pelas suas qualidades humanas, que tratou logo de o internar, primeiro no hospital dos incuráveis, e depois em Marchio Angioino, onde foi um verdadeiro exemplo de fé e de paciência para todos os doentes e onde conheceu o fundador dos Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, o Padre Caetano Errico, mais tarde canonizado, que lhe ministrou a primeira comunhão e lhe prometeu o ingresso na congregação logo que atingisse a idade exigida.

Núncio, que procurava coragem para aceitar os seus males na força da missa, em Jesus Eucarístico e na devoção a Nossa Senhora, acabou por contrair cancro nos ossos e dele veio a falecer com uma oblação exemplar, a 5 de Maio de 1836, tendo ficado os seus restos mortais depositados na Paróquia de São Domingos Soriano, em Nápoles.

Este “jovem corajoso que soube encontrar Jesus no sofrimento, no silêncio e no dom de si mesmo” foi proposto pelo Papa Leão XIII, quando emitiu o decreto sobre a heroicidade das suas virtudes, em 1890, como modelo para a juventude operária. Veio a ser beatificado, por São Paulo VI, a 1 de Dezembro de 1963, em Roma, durante o Concílio Vaticano II, e canonizado também em Roma, em 14 de Outubro de 2018, por Sua Santidade o Papa Francisco, durante o Sínodo dos Bispos desse ano, dedicado ao tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Antes, este Pontífice tinha-o designado como modelo para o evento.

Peçamos a este santo, padroeiro das crianças exploradas e dos trabalhadores, que soube, tão bem em vida, perdoar a todos aqueles que o injuriaram, a sua eficaz intercessão e nos torne dignos da promessa feita ao coronel Felice Wochinger: “Alegra-te! Do Céu vou-te ajudar, sempre!”.