«Façamos calar os gritos de morte», «pare o comércio das armas» e «cessem os abortos»

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O Papa Francisco afirmou que os cristãos têm de ser “anunciadores de vida em tempo de morte”, na vigília pascal onde disse que esta noite é conquistado o “direito à esperança”, com Deus a repetir “não tenhais medo, não temais”. “Façamos calar os gritos de morte: de guerras, basta! Pare a produção e o comércio das armas, porque é de pão que precisamos, não de metralhadoras. Cessem os abortos, que matam a vida inocente. Abram-se os corações daqueles que têm, para encher as mãos vazias de quem não dispõe do necessário”, pediu o Papa na Basílica de São Pedro.
Na homilia da Vigília Pascal, Francisco destacou que “é belo ser cristãos que consolam”, que carregam os fardos dos outros, “que encorajam” e são “anunciadores de vida em tempo de morte”. “A cada Galileia, a cada região desta humanidade a que pertencemos e que nos pertence, porque todos somos irmãos e irmãs, levemos o cântico da vida”, incentivou o Papa, lembrando que “o envio” é a segunda parte do anúncio pascal que é “de esperança”.
Segundo Francisco, o anúncio da esperança “não deve ficar confinado” aos “recintos sagrados” mas tem de ser levado a todas as pessoas, “porque todos têm necessidade de ser encorajados” e questionou se não for que tocou “com a mão «o Verbo da vida» quem o fará”.
“É preciso regressar ao caminho, lembrando-nos de que nascemos e renascemos a partir duma chamada gratuita de amor. Este é o ponto donde recomeçar sempre, sobretudo nas crises, nos tempos de provação”, destacou, lembrando que os discípulos foram enviados para a Galileia que “era a região mais distante de Jerusalém, não só geograficamente”.
O Papa afirmou que nesta noite conquista-se o “direito fundamental” “à esperança”, que não será tirado, uma esperança nova, viva, “que vem de Deus”. “Não é mero otimismo, não é uma palmada nas costas nem um encorajamento de circunstância. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos”, acrescentou.
Na homilia da vigília Pascal, o Papa explicou que ao longo das últimas semanas todos repetiram “com tenacidade ‘tudo correrá bem’”, agarrados “à beleza da humanidade” e fazendo subir do coração “palavras de encorajamento”, mas à medida que os dias passam “e os medos crescem”, “até a esperança mais audaz pode desvanecer”.
“A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida”, assinalou.
O Papa explicou que o túmulo é um lugar onde “quem entra, não sai”, mas Jesus saiu e ressuscitou para as pessoas, para “trazer vida onde havia morte”, para começar uma história nova “no ponto onde foi colocada uma pedra em cima”.
“Ele, que derrubou a pedra da entrada do túmulo, pode remover as rochas que fecham o coração. Por isso, não ceda- mos à resignação, não coloquemos uma pedra sobre a esperança. Podemos e devemos esperar, porque Deus é fiel. Não nos deixou sozinhos, visitou-nos: veio a cada uma das nossas situações, no sofrimento, na angústia, na morte”, desenvolveu, pedindo aos irmãos e irmãs que no coração tenham “sepultado a esperança” para não desistirem.