Beato Augusto Czartoryski — 8 de Abril

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Por Olívia Rodrigues

Augusto nasceu, em Paris, França, a 2 de Agosto de 1858, durante o exílio a que a família reinante polaca se viu obrigada, com a perda da independência do país, em 1795.

Apesar do seu meio ambiente estar carregado de preocupações com a futura reconquista da coroa, os pais nunca perderam essa esperança, a este príncipe de saúde muito frágil, mas de coração bondoso, calmo, inteligente e crente isso não o entusiasmava e preferia a oração, a penitência e a meditação mais do que os estudos, embora não os descurasse, pois era muito bom aluno.

A sua formação académica, frequentemente, interrompida devido à doença e à fragilidade desencadeada pela perda da mãe aos seis anos de idade, decorreu entre Paris e Cracóvia, sempre apoiado pelo grande mestre José Kalinowski, futuro São Rafael de São José Kalinowski surgido, providencialmente na sua vida, numa das várias temporadas passadas no sul da Europa em busca de alívio para o corpo.

Não restam quaisquer dúvidas de que aquele santo influenciou bastante o príncipe, sobretudo: na formação do seu carácter, nos êxitos escolares e, no caminho para o Céu através da devoção à Virgem Maria, ao Santíssimo Sacramento e à Eucaristia, fazendo crescer nele a vocação religiosa.

A família não via com bons olhos esta determinação, visto ele ser um possível herdeiro da coroa polaca, mas Augusto estava convicto e já decidira ser, a todo o custo, sacerdote. Tinha ouvido falar muito de João Bosco e da Congregação Salesiana e ansiava conhecê-lo. O seu desejo tornou-se realidade: no mês de Maio de 1883, quando aquele presbítero visitou a França e foi convidado do pai – o príncipe Ladislau – e da madrasta – a princesa Margarida de Orléans, pretendente ao trono de França -, Augusto teve oportunidade de conversar com ele, de lhe expor o seu projecto e de o ajudar na celebração eucarística.

Contudo, apesar da empatia gerada entre ambos, aquele padre não acreditou muito nas verdadeiras intenções do jovem, pondo em dúvida a sua adaptação à vida consagrada devido às dificuldades que iria encontrar: a vida religiosa é cheia de exigências e ele, padecendo de tuberculose e já com vinte e cinco anos de idade, estava habituado ao fausto; como não atingiu, desta forma, o seu objectivo pediu ajuda ao Papa Leão XIII que, convidou Dom Bosco a recebê-lo no Instituto.

Em Julho de 1887, com vinte e nove anos, e depois de renunciar a todos os bens a favor dos irmãos, entrou no noviciado dos salesianos, recebeu a batina ainda benzida pelo fundador que, viria a falecer pouco tempo depois. Fez os estudos de filosofia e de teologia, esforçou-se por ser o mais humilde dos noviços e gozou, sempre, da amizade e do apoio de todos, em especial, de Dom André Beltrami e de Dom Miguel Rua, o sucessor de Dom Bosco.

A saúde muito frágil, não lhe foi favorável: mesmo assim, foi ordenado sacerdote, em San Remo, a 2 de Abril de 1892, sem a presença da família que, nunca aceitou a sua vocação e que de tudo fez para que desistisse dela.

“O príncipe que escolheu o reino do Céu” morreu cerca de um ano mais tarde, a 8 de Abril de 1893, vítima da tuberculose, deixando profundas marcas em todos aqueles com quem conviveu. Na perfeição, “soube encarnar plenamente a espiritualidade salesiana, de modo particular, o aspecto do sacrifício, a oferta da própria vida e do sofrimento pelo bem dos jovens e da congregação”.

Ao falecer, no sábado da oitava da Páscoa, exclamou: “Que bela Páscoa!”.
Os seus restos mortais depositados, inicialmente, no túmulo de família, em Sieniawa, foram transladados, mais tarde, para a igreja salesiana de Przemysl, na Polónia, onde são venerados.

Foi beatificado, em Roma, no dia 25 de Abril de 2004, pelo Papa São João Paulo II.