Beata Natália Tulasiewicz — 31 de Março

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Por Olívia Rodrigues

Natália nasceu, em Rzeszów, Polónia, a 9 de Abril de 1906, numa família com seis crianças, católica e bem sucedida economicamente; o pai era inspector fiscal e pôde, portanto, proporcionar aos descendentes uma boa formação académica.

Esta, a segunda filha do casal, frequentou, em Cracóvia, o colégio das Irmãs Clarissas e, em Poznán, o das Ursulinas, tendo-se, mais tarde, em 1932, licenciado em filologia polaca e exercido a docência.

Embora o ensino lhe ocupasse muito do seu tempo, ela conseguia disponibilizar uma outra parte com vários grandes amores como: a música, sobre a qual, em 1931, defendeu a tese “Mickiewicz e a música”; a literatura; as línguas estrangeiras; a investigação; a natureza; a narração de contos e a declamação; o jornalismo, cujos trabalhos foram publicados na imprensa polaca; e o apostolado entre leigos, sobretudo, raparigas, fazendo-se membro activo da Sociedade de Maria. Devido às suas convicções religiosas acabou, com dor, com o noivado, pois não conseguiu converter ao catolicismo o eleito, assumidamente, comunista.

Em 1939, quando da invasão da Polónia pelas tropas de Hitler – a oeste – e pelas de Staline – a este -, viu-se obrigada a deixar de exercer, e pior, a ficar isenta de liberdade, tal como o resto do povo que, não podia ter vontade própria e devia obedecer, cegamente, às ordens dos ocupantes. Neste sentido, Natália foi transferida para vários locais onde a consideravam menos perigosa, sobretudo, devido ao seu ardor apostólico.

Este país foi um dos mais sacrificados e com maior índice de falecimentos: muita gente morreu em campos de concentração e também no exercício de trabalhos duros em fábricas; muitas raparigas foram enviadas, como operárias, para a Alemanha sujeitas a actividades extenuantes e a maus tratos físicos, morais e psicológicos e sem qualquer apoio católico.

Conhecedora da situação, esta jovem generosa e cheia de compaixão para com os mais desfavorecidos, decidiu-se e arranjou maneira de se alistar num grupo de deportadas, fazendo-se operária entre as demais.

Naquele meio exerceu, durante algum tempo e com grande êxito, o seu apostolado, sempre alegre, caridosa e gentil para com todas; incutia-lhes a fé em Deus e a esperança na salvação eterna. Muitas sobreviventes testemunharam, depois da guerra que: “foram as palavras de Natália fecundadas pela graça, que as tinham mantido vivas e salvaguardado as virtudes da fé”.

Quando a polícia secreta descobriu a sua acção evangelizadora prendeu-a, humilhou-a e torturou-a publicamente, antes de a enviar, em Abril de 1944, para o campo de concentração de Rawensbruck, onde sofreu grandes atrocidades.

Na Sexta-Feira Santa, do ano seguinte, 29 de Março de 1945, já com muito poucas forças mas ciente da misericórdia de Deus, saiu da barraca e pronunciou um emocionante discurso sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. O Senhor terá sido o seu mais atento e sentido admirador, pois levou-a para junto de si, dois dias depois, a 31 de Março de 1945, Domingo de Páscoa.

Natália Tulasiewicz fez parte dos últimos grupos de vítimas do regime nazi exterminadas nas câmaras de gás, pois o campo foi libertado dois dias depois e, passado cerca de um mês, a Alemanha rendeu-se (por documento assinado em Reims – França – a 7 de Maio de 1945).

O Papa São João Paulo II, durante a Viagem Apostólica realizada ao seu país de origem, de 5 a 17 de Junho de 1999, beatificou, em Varsóvia, em conjunto, cento e oito mártires da Segunda Guerra Mundial, que deram a vida por Cristo, entre os quais, estava este grande exemplo de generosidade para com os irmãos e de entrega total a Deus.