Beato Metódio Domingos Trcka — 23 de Março

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Por Olívia Rodrigues

Tomás nasceu, na República Checa, a 6 de Julho de 1886, cabendo a ele, o mais novo de sete irmãos, frequentar o seminário e ingressar na Congregação do Santíssimo Redentor.

Depois de ter sido ordenado sacerdote, em Praga, no dia 17 de Julho de 1910, pelo Arcebispo Leo Skrbenský, dedicou-se, totalmente ao apostolado com os mais desfavorecidos: pobres, doentes, marginalizados e crianças e mulheres abandonadas, entregues a si próprias, sem qualquer meio de subsistência para levarem uma vida digna; e ao serviço do instituto a que, pertencia, tanto no apoio aos irmãos como na edificação e orientação de várias casas.

Iniciou-se na pastoral das missões populares em Praga, mas em 1919, viu concretizar-se o seu grande sonho de seminarista: exercer a doutrinação entre os fiéis greco-católicos, para tal deslocou-se para Lviv, na Ucrânia.
Dois anos depois, na Eslováquia, fundou e foi superior da primeira comunidade redentorista latina de rito bizantino, além de trabalhar, arduamente, em várias paróquias circunvizinhas. Instituiu e foi grande divulgador da ”Irmandade da Mãe do Perpétuo Socorro e do Santo Rosário”.
Destacou-se em Michalovce, entre outras coisas: como superior da casa; na conclusão da construção de uma igreja; na preparação da edificação de um mosteiro feminino e de uma nova casa redentorista a ser utilizada em retiros espirituais e como Visitador Apostólico das Irmãs Basilianas.

O Padre Metódio, nome que adoptou como religioso, apesar de óptimo administrativo, nunca descorou o rebanho do Senhor: o povo de Deus estava em primeiro plano e, para ele, sobretudo, os mais necessitados e menos doutrinados lançou as bases para a fundação de uma associação de senhoras com a finalidade de os apoiar. Esta figura tão importante e ímpar tornou-se numa referência para a vida espiritual e para as iniciativas apostólicas de muitos.

Não passou imune pelas grandes catástrofes do século XX como: a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Ocupação Comunista do Leste Europeu: quanto aos dois primeiros conflitos, apoiou muitos refugiados e mutilados de guerra, apesar das dificuldades provocadas pelo estado a que a Igreja se viu sujeita, mas, relativamente ao terceiro, a situação tornou-se mais grave: foi acusado de traidor, detido, a 13 de Abril de 1950, juntamente com os restantes irmãos e interrogado por diversas vezes, condenaram-no a doze anos de prisão.

No cárcere, permaneceu firme à sua vocação sacerdotal, ao amor a Deus, à devoção à Santíssima Virgem e à Eucaristia: ajudava os companheiros, dando-lhes alento, celebrando a missa e, administrando os sacramentos, quando possível.

Viveu o período de reclusão, sempre, em estabelecimentos de alta segurança, sem condições de habitabilidade, provocando-lhe o declínio progressivo da saúde, agravada quando foi encerrado na “célula de correcção” pois um guarda ouviu-o, no Natal de 1958, entoar um cântico alusivo à época.

Perante a pneumonia que, contraiu naquele lugar, de nada valeram os pedidos de um companheiro médico para que fosse hospitalizado; foi sim transferido para uma cela de isolamento, regressando, mais tarde, à sua onde faleceu, no dia 23 de Março, do ano seguinte “…oferecendo o heróico testemunho de fidelidade ao Evangelho, de solidariedade para com o seu próprio povo e de amor à tradição do cristianismo de Rito Oriental”.

Palavras do Papa São João Paulo II, inseridas na homilia da celebração da beatificação deste mártir do regime comunista, ocorrida na Praça de São Pedro, em Roma, a 4 de Novembro de 2001.

Em 1969, a Congregação do Santíssimo Redentor, com a restauração da Igreja Greco-Católica, conseguiu transladar os seus restos mortais do cemitério da Prisão de Leopoldov para a igreja redentorista do Espírito Santo, em Michalovce na Eslováquia.