São Casimiro — 4 de Março

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Por Olívia Rodrigues

Casimiro, o terceiro dos treze filhos de Casimiro IV, rei da Polónia e grão-duque da Lituânia, nasceu no castelo de Wawel, em Cracóvia, Polónia, a 3 de Outubro de 1458.

Desde muito novo e, contrariando a tendência violenta e ambiciosa dos elementos da dinastia dos Jaguellones a que pertencia; este príncipe revelou-se tranquilo, paciente e generoso para com todos, antevendo-se uma possível entrega ao Senhor. De facto, não deixando de cumprir as suas obrigações de estado, Casimiro foi um leigo comprometido em todas as ocasiões: quer como regente do seu país, entre 1479 e 1483, quando o pai se teve de ausentar para a Lituânia, quer com os compromissos da corte.

O seu carácter foi-se, amorosamente, formando à custa dos ensinamentos: da mãe, Isabel de Áustria, senhora católica, mas ávida de poder para os filhos; de grandes mestres humanistas italianos e do cónego João Dugloss, dos quais, este jovem captou e interiorizou os princípios fundamentais do respeito, da caridade e do amor para com todos, especialmente, o irmão mais necessitado.

O povo simples amava o seu príncipe pois sabia que podia contar com ele: ouvia sempre as lamentações de todos os súbditos, distribuía alimentos aos famintos, procurava soluções para os seus problemas e escutava-os, enfim, fazia tudo aquilo que competia a um cidadão governante, coisa não muito habitual mesmo nos dias de hoje.

Este grande jovem do seu tempo soube lidar, extraordinariamente, bem com a riqueza, no meio da qual vivia, e também com a pobreza da plebe: não rejeitava as festas e o convívio da corte, mas orava e penitenciava-se muito, dormia no chão ao lado da sua confortável cama, percorria as estações da via-sacra, usava cilícios por debaixo das suas roupas sumptuosas, passava noites inteiras a rezar em frente às portas das igrejas, não perdia a participação numa Eucaristia e era grande devoto da Virgem Maria, para ela compôs o hino de louvor “Omni die dic Mariae”, pedindo que lho pusessem no seu sepulcro, na Catedral de Vilnius, na Lituânia, quando faleceu, com vinte e cinco anos, a 4 de Março de 1484, vítima de tuberculose.

Casimiro foi um príncipe diferente dos do seu tempo: pôs a ambição do poder de lado e aproveitou da vida aquilo que, realmente, importa: servir o irmão retratado no Senhor. Fez voto de castidade muito novo, recusou grandes oportunidades matrimoniais, dedicou-se mais ao bem da alma do que do corpo, sabendo retirar dos ensinamentos que lhe foram ministrados o essencial e, rodeando-se de gente que o compreendia e o apoiava como: o Cónego João Dugloss e um servo muito discreto, o seu grande amigo.

Morreu com fama de santidade e foi canonizado, em 1521, em cerimónia presidida por Sua Santidade o Papa Leão X; declarado patrono da Polónia em 1602, por Clemente VIII (1591-1605) e da Lituânia, por Urbano VIII (1623-1644) e ao “Doutor Magnífico, Luz da Santa Igreja, Amante da Lei de Deus” – o magnificente Papa Pio XII – também não lhe passou despercebido, pois este Pontífice declarou-o, em 1948, patrono da juventude lituana na pátria e no exterior.

Quando o corpo deste santo foi exumado, em 1604, cento e vinte anos após a sua morte, encontrava-se incorrupto, a roupa intacta e, claro está, o hino de louvor a Nossa Senhora como se, naquele momento, o tivessem lá posto, tudo isto envolto num agradável e suave perfume.