Papa diz que Igreja tem de ouvir «grito dos pobres» e questiona hipocrisia de quem despreza o próximo

0

O Papa Francisco disse no Vaticano que a Igreja Católica tem de ouvir o “grito dos pobres” e deixou críticas a quem se julga “superior” a eles, perante Deus.

“Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são escutadas, acabando talvez vilipendiadas ou silenciadas, porque incómodas. Rezemos, pedindo a graça de saber escutar o grito dos pobres: é o grito de esperança da Igreja”, declarou, na homilia da Missa a que presidiu no encerramento do primeiro Sínodo especial para a Amazónia.

Após três semanas de trabalhos, acompanhadas por críticas de diversos setores, no interior da Igreja Católica, Francisco questionou quem “levanta muros” perante os excluídos e os necessitados, “para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados”.

“Ou então, considerando-os atrasados e de pouco valor, despreza as suas tradições, apaga as suas gestas, ocupa os seus territórios e usurpa os seus bens. Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, mesmo hoje”, denunciou.

“Peçamos a Jesus que nos cure do criticar e queixar-nos dos outros, de desprezar seja quem for: são coisas que desagradam a Deus”, prosseguiu o pontífice.

O Papa falou numa “religião do eu”, centrada no cumprimento de “preceitos particulares” que deixam de lado os mandamentos centrais do Cristianismo, “amar a Deus e ao próximo”.

“Até mesmo cristãos que rezam e vão à Missa ao domingo são seguidores desta ‘religião do eu’. Podemos olhar para dentro de nós e ver se alguém, para nós, é inferior, descartável… mesmo só em palavras”, lamentou.