Beato Pedro To Rot — 7 de Julho

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Por Olívia Rodrigues

Pedro nasceu, no ano de 1912, em Rakunai, Papua-Nova Guiné, numa família indígena, recentemente convertida ao catolicismo. O pai era chefe de tribo e herdou dele a capacidade de liderança.

Alegre, generoso, piedoso, gentil e bom aluno, na escola, empregava todos os tempos livres, na ajuda aos missionários; com eles nasceu o desejo de frequentar um curso de catequese a fim de participar na evangelização da sua terra.

Não fosse o progenitor, e o menino teria vindo para a Europa onde estudaria, e seria ordenado sacerdote mas, este desejo de Pedro não poderia concretizar-se: a sua acção de leigo responsável passaria pela colaboração com os evangelizadores, pelo matrimónio e pela responsabilidade de pai, sempre fiel à esposa e aos compromissos de bom cristão. Por estes ideais sofreu o martírio, a 7 de Julho de 1945, na sua terra natal.

Quando, durante a Segunda Guerra Mundial, o país foi invadido pelos japoneses e os missionários expulsos ou executados, To Rot tomou a peito as suas funções, apesar da perseguição à Igreja Católica e à imposição da poligamia; continuou a apoiar os fiéis na catequese e na oração, nos baptismos e nos matrimónios, na visita aos doentes e na ajuda aos pobres, sabendo, de antemão, que arriscava a sua própria vida. Além disso, Pedro havia casado, aos vinte e quatro anos, com a jovem Paula Varpit, de dezasseis anos, em 1936, tendo do enlace nascido três filhos e, constituindo uma família monogâmica, modelo não tolerado pelos governantes.
Por tudo isto, passou a ser perseguido e detido durante alguns dias.

Libertado, continuou o seu trabalho, normalmente, mas por pouco tempo, pois voltou a ser preso, vítima de uma denuncia. No cárcere, manteve-se sempre alegre, confiante e fiel aos princípios cristãos: com eles tinha nascido, sido educado e vivido.

A Eucaristia diária, a Sagrada Comunhão e as visitas frequentes ao Santíssimo Sacramento estimulavam-no a: “ser um pai amoroso que, honrava os seus filhos, nutria por eles afecto profundo e passava com eles o maior tempo possível; ter em alta consideração o matrimónio; defender os ensinamentos da Igreja sobre a unidade matrimonial e sobre a necessidade de fidelidade recíproca”.

Pronto a morrer pela fé e pelo seu povo, no dia da execução da sentença – injecção letal – pediu à mulher que lhe levasse o crucifixo de catequista. Deste modo, a cruz o acompanhou até ao final.

O Mártir do Sacramento do Matrimónio, o primeiro mártir da Papua-Nova Guiné a ser elevado às honras dos altares, foi beatificado por São João Paulo II, a 17 de Janeiro de 1995, na capital Port Moresby. Na celebração compareceram a esposa e uma filha de Pedro To Rot que apresentaram, ao Papa, durante o ofertório, alguns dons.