Beato Inácio Falzon — 1 de Julho

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Por Olívia Rodrigues

Inácio nasceu, a 1 de Julho de 1813, em La Valletta, capital de Malta, numa família católica de nível social e económico superior: o pai era advogado e, na altura, integrava o grupo nomeado pelo rei para a elaboração do Código Civil. Os seus méritos, porém, tornaram-no juiz do monarca.

Este menino recebeu, tal como os irmãos, esmerada educação católica e instrução académica: doutorou-se em Direito, mas nunca exerceu pois, desde muito pequeno, aspirava à vida religiosa; a primeira tonsura e as ordens menores foram-lhe conferidas aos quinze anos e aos dezoito anos, respectivamente.

O sacerdócio nunca fez parte dos seus planos, considerava-se indigno de tal; pretendia, isso sim, dedicar-se à evangelização dos soldados, quer malteses quer ingleses que, se concentravam na cidade a fim de serem preparados antes de partirem para a guerra da Crimeia.

Uma parte daqueles homens eram católicos, mas de fé vacilante, tornando-se necessário incutir-lhes os princípios cristãos. Para eles organizou aulas de catequese e encontros de oração, cujo êxito levou a que muitos mais – protestantes e ateus – se aproximassem e se tivessem convertido. O segredo, muito simples, passava pela humildade, pelo amor ao próximo e pelas horas intermináveis de acompanhamento que, o Irmão Inácio dispensava a cada um, tornando-se no verdadeiro amigo e confidente daqueles que, possivelmente, não mais voltariam a casa. Os seus bens pessoais e desejos ficavam à guarda do “enviado de Deus”, a fim de lhes dar o destino pretendido.

Este homem possuía uma incrível força divina e uma vontade sobre-humana de ajudar o mais desprotegido assentes na devoção à Sagrada Eucaristia, à Virgem Maria – a quem rezava, diariamente, o rosário – e a São José, assim como a prolongada e profunda meditação e adoração ao Santíssimo Sacramento.

O elevado número de baptismos – cerca de seiscentos e cinquenta -, de conversões e de colaboradores leigos que, foram ordenados sacerdotes e encaminhados como capelães militares, só por si, dizem da importância desta obra desenvolvida no silêncio e na humildade mas de contornos tão valorosos.

Inácio Falzon foi um verdadeiro pioneiro do ecumenismo pois, soube entrar no coração de todos – soldados e marinheiros – pela via do diálogo respeitador dos diferentes credos e religiões.

A educação recebida em casa, assim como, a aprendizagem da língua inglesa – coisa, raríssima, na altura – ajudaram bastante mas, a entrega total a Cristo e a disponibilidade concedida aos mais vulneráveis foram as verdadeiras força e razão da sua vida.

Este membro da Ordem Franciscana Secular, a quem se atribuem muitas graças, faleceu, no dia 1 de Julho de 1865, com apenas cinquenta e dois anos de idade, tendo sido sepultado no jazigo da família, na igreja franciscana de santa Maria de Jesus, em La Valletta.

Foi beatificado, a 9 de Maio de 2001, por São João Paulo II, na sua cidade, durante a Peregrinação Jubilar que, aquele Papa fez à Grécia, Síria e Malta.
A fama de santidade divulgou-se, não só, no seu país natal, mas também, naqueles que, acolhem emigrantes malteses.