São Bento Menni — 23 de Junho

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Por Olívia Rodrigues

Ângelo Hércules, o quinto de quinze irmãos, nasceu, a 11 de Março de 1841, em Milão, Itália, numa família cristã que, juntamente, com outros factores, foi a responsável pela decisão da sua entrega ao Senhor.

A entrada na Ordem Hospitaleira de São João de Deus, aos dezanove anos, revelou-se tarefa simples, pois a dedicação dos Irmãos no tratamento dos soldados feridos, chegados à estação de Milão, sensibilizava-o, de sobremaneira, a ele, um jovem voluntário, recém-entrado naquelas andanças. Claro que a oração diária a Nossa Senhora, as conversas interessantes com um eremita da sua terra e os exercícios espirituais feitos aos dezassete anos, ajudaram bastante.

Estudou no seminário de Lodi e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, sendo ordenado sacerdote, na Cidade Eterna, no ano de 1866. Pouco depois, e a pedido do Papa Pio IX, partiu para Espanha a fim de restaurar a Ordem, anteriormente extinta.

Esta missão fê-lo permanecer bastantes anos naquele país; o seu árduo trabalho nem sempre foi reconhecido, como por exemplo: em Barcelona, onde padeceu ultrajes, a prisão e a expulsão da cidade.

Homem multifacetado, a sua actividade passou por: desempenhar o cargo de enfermeiro da Cruz Vermelha; assistir os doentes de cólera em Andaluzia, Aragão e Madrid; fundar asilos, hospitais gerais e psiquiátricos; reformar a assistência nestes, bem carecida de métodos e meios mais humanos; e, em 31 de Maio de 1881, com mais duas senhoras de Granada – Maria Josefa Recio e Maria das Angústias Giménez – fundar, em Ciempozuelos, Madrid, a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com o intuito de responder à situação de abandono e exclusão social das doentes mentais. Esta Obra, rapidamente, se difundiu por vários países, entre eles o nosso, onde presta prestigiada assistência.

O Padre Bento, nome adoptado no sacerdócio, bem merece toda e qualquer homenagem que se lhe preste, pois dignificou a Ordem de São João de Deus através do apoio na saúde àqueles que mais dele precisavam: as crianças, as mulheres pobres e desamparadas e os desprotegidos da sorte.

Veio a falecer em França, em Dinan, a 24 de Abril de 1914, permanecendo os seus resos mortais na Casa-mãe, em Ciempozuelos.

O “homem de caridade inesgotável e de excepcionais dotes de governo” foi beatificado, a 23 de Junho de 1985, e canonizado, em 21 de Novembro de 1999, em Roma, em cerimónias presididas pelo Papa São João Paulo II.