São Rafael Arnáiz Barón — 26 de Abril

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Por Olívia Rodrigues

Rafael nasceu, a 9 de Abril de 1911, em Burgos, Espanha, numa família burguesa que, soube transmitir muito bem, aos quatro filhos, os seus princípios cristãos.

Este, o primogénito, apesar de franzino, sempre se revelou um aluno brilhante, quer no Colégio dos padres jesuítas, quer na Faculdade de Arquitectura de Madrid, onde se matriculou em 1930.

A falta de saúde acompanhou-o desde criança e, de algum modo, lhe dificultou a vida mas, alegre e bem-disposto, por natureza, conseguiu, nas mais diversas situações, tirar partido desta anomalia, sobretudo, como monge cisterciense.

Uma visita oportuna ao mosteiro trapista de Santo Isidro de Dueñas, proposta por seu tio – duque de Maqueda – durante as primeiras férias de verão da escola superior passadas na sua quinta, despertou-lhe o interesse por uma vida, totalmente, dedicada ao Senhor.

Após a realização dos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, feitos em Julho de 1932, e de ter resolvido a situação do serviço militar, anulou a matrícula em Arquitectura e ingressou naquele convento, a 15 de Janeiro de 1934.

No período entre a entrada no mosteiro e a sua morte ocorrida, a 26 de Abril de 1938, por várias vezes, foi obrigado a regressar à casa paterna a fim de se tratar. A austeridade da regra dos monges não se coadunava com as exigências médicas. Os clínicos eram de opinião que permanecesse com a família durante o tempo necessário ao controlo da diabetes, enfermidade, recentemente, adquirida.

A 15 de Dezembro de 1937, cansado mas, sobretudo, infeliz pela privação da vida que, escolhera, regressou, pela última vez, ao convento; não queria sair mais, era ali o seu lugar e onde se sentia bem, apesar de: isolado na enfermaria, sujeito a um regime alimentício inadequado, incompreendido por alguns superiores e privado de participar em qualquer ofício religioso, mesmo na missa diária, tal o seu estado de debilidade física.

Não terão sido muito fáceis os últimos meses de vida de Frei Rafael Maria, sempre bem-humorado, oferecia todo o sofrimento ao Senhor pelos irmãos e pela Ordem. Foi, também, durante este espaço de tempo que mais se dedicou à escrita das Cartas, reveladoras de intensa espiritualidade, dirigidas, sobretudo, à mãe que, as publicaria depois do seu falecimento.

A grande paixão deste monge trapista que, não chegou a fazer votos, era Deus: “Tudo o que faço é por Deus… quisera que o universo inteiro – com todos os planetas, os astros todos e os inúmeros sistemas estelares – fosse uma imensa superfície lisa e brilhante, onde eu pudesse escrever o nome de Deus… que a minha voz fosse mais potente que mil trovões, e mais forte que o ímpeto do mar, e mais terrível que o fragor dos vulcões para só dizer Deus…!”.

Frei Rafael Maria Arnáiz Barón, considerado um dos grandes místicos da Igreja do século XX, foi declarado “modelo para a juventude”, pelo Papa São João Paulo II, durante as Jornadas Mundiais da Juventude de 1989, em Santiago de Compostela; este mesmo Papa o haveria de beatificar, a 27 de Setembro de 1992. A cerimónia de canonização, em Roma, no dia 11 de Outubro de 2009, foi presidida por Sua Santidade o Papa Bento XVI.