São Damião de MoloKai — 15 de Abril

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Por Olívia Rodrigues

José Veuster nasceu, a 3 de Janeiro de 1840, em Tremelo, Bélgica, numa família numerosa e católica, da qual recebeu sólida formação.

Alegre, bem-disposto e generoso ingressou, aos dezoito anos, na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Adoração do Santíssimo Sacramento do Altar, tal como o irmão mais velho, preparando-se para o Sacerdócio.

Ainda estudante de filosofia e de teologia, ficou sensibilizado com o discurso de um superior sobre as Missões, oferecendo-se, imediatamente, para substituir o irmão, na altura doente, que, deveria partir para trabalhar no Arquipélago do Havai. Na capital, Honolulu, foi ordenado sacerdote, a 24 de Março de 1864, e na Ilha Grande exerceu importante apostolado durante nove anos, catequizando, construindo igrejas e, apoiando todos os que, mais necessitavam; mas o Senhor destinara-o a empresa mais sublime: a lepra.

Com efeito, quando ouviu o pedido do bispo local para padres voluntários, com o fim de apoiarem os doentes isolados na Ilha de Molokai, logo se ofereceu e lá permaneceu durante dezasseis anos, dando a vida por aqueles infelizes; deles só se separou, minado pelo mal, na segunda-feira santa, 15 de Abril de 1889, quando o Senhor o chamou à Sua presença.

Ao chegar à “Ilha Maldita” deparou-se com um cenário difícil de acreditar provocado pela resolução do governo em enviar para lá todos aqueles que, se encontravam contagiados pela doença importada do ocidente e, na altura, incurável, evitando, assim, a sua proliferação por todo o território. Vivendo sem regras e sentindo-se abandonados, imperava a promiscuidade, a falta de higiene, o ódio, o desespero, a libertinagem, tudo era permitido entre eles, nada tinham a perder, estavam condenados ao sofrimento e à morte.

Na verdade a Administração Central não havia abandonado, totalmente, aquela gente pois: mandara construir um pequeno hospital, enviava alguns alimentos e roupas e um médico que, fazia consultas de quando em vez; tudo isto se revelava muito pouco para as necessidades e difícil de concretizar porque todos tinham receio do contágio, apesar do contacto com os habitantes ser breve e pouco frequente – o tempo de entrega dos bens materiais era rápido e os estafetas, frequentemente, substituídos.

O Padre Damião conseguiu, com muito esforço e amor a Deus e ao próximo, transformar, aos poucos, aquela selva humana; nunca se afastou, antes pelo contrário, expôs-se demasiado, tratando, carinhosamente, as chagas do corpo e as da alma, valorizando e, apoiando, sobretudo, as crianças com as quais formou um coro e uma banda musical.

O esforço e a acção deste homem de Deus foram reconhecidos, ainda em vida: muito respeitado por cristãos e seguidores de outros credos e pelo governo do Havai, cujo rei o investiu como “Comandante Cavaleiro da Real Ordem de Kalakaua”, honra concedida como gratidão pelos “esforços no alívio dos sofrimentos e na mitigação das dores dos infelizes”. Nunca usou tal condecoração, mas a propósito observava: “O Senhor condecorou-me com a Sua Cruz particular: a lepra!”.

A 4 de Junho de 1995, chegou a vez da Igreja Católica o declarar beato, em cerimónia presidida por São João Paulo II, na Bélgica. E, no dia 11 de Outubro de 2009, na Praça de São Pedro, perante uma enorme multidão e na presença dos reis do seu país de origem, Sua Santidade o Papa Bento XVI proclamou-o santo.