«Os construtores de muros serão prisioneiros dos muros que erguem»

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O Papa Francisco confessou a sua emoção perante os sofrimentos de migrantes e refugiados, questionando quem apresenta solução para estas pessoas a construção de muros ou deixar que se “afoguem” no Mediterrâneo.

“Os construtores de muros, sejam de arame farpado ou de tijolos, serão prisioneiros dos muros que erguem, essa será a sua história”, disse às sete dezenas de jornalistas que o acompanharam no regresso ao Vaticano, após uma viagem de dois dias a Marrocos.

O Papa foi questionado sobre uma entrevista que concedeu ao canal televisivo espanhol laSexta e explicou que o repórter Jordi Évole, com quem falou, lhe mostrou um bocado de arame farpado como o que existe na vala que divide Melilla (enclave espanhol) do território marroquino, fazendo-o chorar, perante algo em que “não conseguia acreditar”.

“Chorei porque não me cabe na cabeça, no coração, que haja tanta crueldade, ou ver as pessoas afogarem-se no Mediterrâneo, em vez de transformar os portos em pontes”, acrescentou.

O Papa admitiu que muitos católicos e pessoas de “boa vontade” têm opiniões contrárias, no que diz respeito às políticas migratórias, mas considerou que estão “tomadas pelo medo” e por discursos populistas. “O medo é o início das ditaduras”, alertou.