Beata Celestina Donati — 18 de Março

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Por Olívia Rodrigues

Maria Ana nasceu em Florença, Itália, no dia 26 de Outubro de 1848, no seio de uma família abastada e culta, sendo o pai juiz.

Tal como os cinco irmãos: ela era a mais nova, teve uma educação esmerada, especialmente, a cristã e cedo se distinguiu dos outros pela oração assídua e preocupação pelos necessitados.

O desejo de se entregar, totalmente, ao Senhor demorou a concretizar-se: isso só aconteceu aos quarenta anos, a falta de apoio familiar e uma tentativa de ingresso num instituto religioso falhada, foram as causas principais; mas ela bem sabia que a sua persistência e o amor incondicional a Jesus Crucificado e à Divina Eucaristia a levariam aonde desejava – consagrar-se a Deus na vida religiosa.

O caminho traçado pelo Senhor, aparentemente, foi simples: bastou ter-se sensibilizado com as súplicas da mãe de uma garota para que a tratasse, de modo a defendê-la dos maus tratos do pai e encontrado o Padre Celestino Zini, escolapio, que, escolheu como seu director espiritual e que, mais tarde, foi nomeado bispo pelo Papa Leão XIII.

Assim, sob a orientação daquele presbítero e com a ajuda de quatro senhoras: abriu, uma escola gratuita para meninas pobres; estavam lançadas as bases para a fundação da Congregação das Filhas Pobres de São José Calasanz”, em 1889, para assistir crianças abandonadas e dar-lhes orientação para a vida segundo o espírito daquele grande educador.

A Irmã Celestina da Mãe de Deus, nome adoptado em homenagem ao sacerdote que, lhe deu a mão, a orientou e a acompanhou em tarefa tão audaciosa foi uma verdadeira mãe, não só para as crianças oriundas de famílias pobres e/ou desestruturaras, mas também para as suas filhas espirituais às quais sempre acompanhou, e para elas escreveu ensinamentos preciosos compilados em várias obras como: “Manual Calasanziano” e “Devotas práticas quotidianas”, além de diversas cartas de beleza e conteúdo, riquíssimos.

Nunca se inibiu ou teve vergonha, apesar da sua condição social, de pedir ajudas aos mais influentes para a sua obra: as crianças não tinham culpa de terem nascido e, eram o futuro do país, mesmo assim; nunca deixaram de existir dívidas e grandes sacrifícios para a manter.

A oração e a meditação foram os seus sustentáculos: instituiu a Adoração Eucarística quotidiana na capela da casa, no ano de 1900, para religiosas e alunas e intensificou a devoção a Jesus Crucificado.

Humilde, delicada, terna, transbordante de amor para com todos – não se esquecia dos irmãos necessitados, doentes, idosos, marginalizados – assim a definiam aqueles que com ela conviveram, mas as suas meninas ocupavam o lugar da vanguarda, lembrava, insistentemente, às irmãs: “Veneremos nas meninas a infância de Jesus” e “As crianças são o templo da Santíssima Trindade”.

Depois de uma vida, totalmente, dedicada ao bem-estar e educação do irmão mais desfavorecido, partiu para o Céu, a 18 de Março de 1925, deixando um legado gigantesco a favor da educação. Os seus restos mortais, tais como os do Bispo Celestino Zini, repousam na capela da Casa-Mãe, em Florença.

Madre Celestina da Mãe de Deus foi beatificada na cidade onde exerceu a sua actividade e implantou a sua obra, a 30 de Março de 2008, em cerimónia presidida pelo Cardeal D. José Saraiva Martins, legado de Sua Santidade o Papa Bento XVI.