Taumaturgos

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Impressões da Terra Brasilis

Anunciou-se na cidade o impossível. Um cidadão, dotado de poderes extraordinários, degolaria um galo e depois o recomporia. Mas não o faria como animal empalhado, senão como ave capaz de novamente subir numa cerca e soltar os pulmões para acordar a natureza e a vizinhança. O milagreiro devolveria a vida que roubara. E mais: faria isto num teatro, diante dos olhos da plateia. Fico a imaginar o público pagando na bilheteria para assistir o inacreditável. Minutos antes do início do programa, os murmúrios, os olhares, indagativos uns, atoleimados todos. No ápice do primeiro de dois atos, o corte. Sangue a jorrar, o galo a desfalecer, e o pior: a cabeça estava na mão do prefeito, o corpo na mão do delegado. O espanto da plateia, manifesto em prolongados e extáticos ós, apenas premiou uma cena corriqueira de um galináceo degolado.

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