São Gabriel de Nossa Senhora das Dores — 27 de Fevereiro

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Por Olívia Rodrigues

Francisco nasceu, a 1 de Maio de 1838, em Assis, Itália, numa família católica bem-sucedida, económica e socialmente: o pai era advogado e a mãe de ascendência nobre.

Dos treze filhos do casal só este, o décimo primeiro, se consagrou ao Senhor.

Rapaz alegre, inteligente, carinhoso e amigo de se divertir; fez os primeiros estudos nos Irmãos das Escolas Cristãs e os secundários no Colégio dos Padres Jesuítas de Spoleto, para onde a família se transferiu quando o menino contava, apenas, três anos de idade.

Cedo começou a manifestar o gosto pelas artes: especialmente, declamação, representação, música, canto e dança, mas também, pela caça e pelas festas, sobretudo, as nocturnas, onde sobressaia como excelente bailarino. Contudo, isto não o impedia de cumprir os seus deveres de cristão convicto.

Mas o caminho pretendido por Deus para o jovem não era este: o Senhor já o havia tocado por várias vezes, e em nenhuma o sensibilizara, até ao dia da perda da irmã mais velha, vítima de epidemia de cólera, Francisco contava, então, dezassete anos. Aquela tinha sido, para ele, a mãe que perdera, apenas com quatro anos de idade, e tão bem a soubera substituir. O choque foi violento demais, fê-lo estremecer e pensar trilhar outros caminhos; mas não avançou, este tinha sido, somente, mais um empurrãozinho do alto.

O desfecho deu-se durante as festas de Spoleto em honra de Nossa Senhora: participando na procissão e no momento em que fitava os olhos da padroeira, no ícone, teve a confirmação; a Virgem convidava-o à mudança de vida.

Decidiu-se por um instituto de regras austeras – a Congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – ; a transformação tinha de ser radical. Era muito jovem, apenas dezoito anos, mas sabia o que queria, escolheu conscientemente.

Nem todos os momentos vividos no convento foram fáceis, não estava habituado a certas provações. Com mais ou menos dificuldades tudo ultrapassou, sempre com um sorriso e fiel ao seu lema: “A nossa perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em executar bem as ordinárias”. O segredo da fidelidade terá sido a constante boa disposição, a força de vontade e o amor incondicional a Nossa Senhora e à Paixão de Cristo; o Crucifixo sempre o acompanhava em todas as ocasiões.

A sua curta vida – faleceu com apenas vinte e quatro anos – passou despercebida aos olhos dos irmãos no mosteiro e no mundo, mas aos de Deus não foi assim, tanto que, o Senhor se serviu dele, após a morte, para realizar muitos prodígios.

Gabriel de Nossa Senhora das Dores não chegou a ser sacerdote passionista, recebeu sim as ordens menores, em 25 de Maio de 1861, e neste mesmo ano contraiu tuberculose que, muito o fez sofrer e o levou, no ano seguinte para o Céu. Os seus padecimentos tornaram-se, de certeza, exemplo para a santificação de todos aqueles que com ele conviveram.

O santo dos jovens, dos milagres e do sorriso, partiu para o Pai, na manhã de 27 de Fevereiro de 1862, feliz, de mãos cruzadas sobre o peito, apertando, amorosamente o crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora, sorrindo e, rezando: “Meus méritos são Vossas Chagas Senhor!”

Foram precisos, somente, seis anos de vida religiosa para atingir a perfeição.

Em 1908, o Santo Padre São Pio X beatificou-o e, em 1920, Sua Santidade o Papa Bento XV canonizou-o. Posteriormente, em 1926, foi proclamado copatrono da Acção Católica pelo Papa Pio XI e, em 1959, padroeiro principal de Abruzzo, por São João XXIII.