Santa Gertrudes Comensoli — 18 de Fevereiro

0

Por Olívia Rodrigues

Catarina nasceu a 18 de Janeiro de 1847, em Bienno, Brescia, Itália, numa família católica e humilde com dez filhos, sendo ela a quinta.

Era ainda muito pequenina e já gostava de ficar horas a fio diante do sacrário a “pensar”. Sozinha e, sem dizer nada a ninguém, foi tomando resoluções muito importantes como: confessar-se aos cinco anos, comungar aos sete anos e fazer voto de virgindade perpétua, certamente, inspirada pelo Espírito Santo.

Todo este percurso deixava antever a sua consagração ao Senhor, o que aconteceu aos quinze anos, quando decidiu ingressar no Instituto das Irmãs da Caridade de Lovere.

Contudo, não foi bem-sucedida: a saúde traiu-a e, pouco tempo depois, voltou para casa para se tratar.

Sendo a família muito pobre e precisada de ajuda, Catarina resolveu estabelecer um interregno para ir trabalhar, nunca desistindo da ideia inicial. Assim exerceu, alguns anos, as profissões de empregada doméstica em casa do futuro Bispo de Lodi e de dama de companhia da Condessa Fé-Vitali em Cremona, onde conheceu o Padre Francisco Spinelli que, tal como ela, sonhava fundar uma congregação dedicada à adoração do Santíssimo Sacramento.

O sonho só se tornou realidade após a morte dos pais, mas não resultou, já que os dois: sacerdote e ela, não se entendiam, totalmente, quanto à finalidade do instituto. Por outro lado, surgiram vários problemas que, levaram à perda de todos os bens conseguidos. Tristes, mas esperançados, resolveram seguir caminhos diferentes.

A Irmã Gertrudes do Santíssimo Sacramento, a conselho do bispo, deixou provisoriamente, Bergamo com um grupo de Irmãs Adoradoras ou Sacramentinas, estabelecendo-se em Lodi, cujo Bispo as recebeu e lhes concedeu a aprovação diocesana, a 8 de Setembro de 1891.

Resolvida a situação da hipoteca da casa de Bergamo, as religiosas regressaram e nela se estabeleceram definitivamente. Ali, a Superiora, Madre Gertrudes Comensoli, passou o resto da sua vida, desempenhando as tarefas inerentes ao cargo, sempre fiel aos objectivos, inicialmente, definidos: incutir o carisma próprio da adoração e reparação ao Santíssimo Sacramento e apoiar as raparigas operárias vindas do campo, a fim de que o trabalho não prejudicasse o cumprimento das obrigações cristãs.

Foi uma vida de labuta e êxitos, mas também de muito sofrimento provocado, sobretudo, pela incompreensão dos outros. Desistências nunca as houve, mas sim, sempre forças para prosseguir, pois os caminhos do Senhor não são fáceis. A luta terrena terminou a 18 de Fevereiro de 1903, cerca de três anos antes do Santo Padre São Pio X lhes ter concedido a aprovação definitiva do Instituto, a 14 de Dezembro de 1906.

Todos estimavam esta religiosa heróica que, faleceu com fama de santidade, após longa permanência no leito, devido a enfermidade prolongada, de rosto voltado para o sacrário, enquanto contemplava o Santíssimo. O seu corpo descansa incorrupto na capela da Casa-Mãe, em Bergamo.

O Papa São João Paulo II beatificou-a a 1 de Outubro de 1989; Sua Santidade o Papa Bento XVI canonizou-a no dia 26 de Abril de 2006, na Praça de São Pedro, em Roma.