O «2099»: Um rapaz endiabrado

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D. Thomaz da Câmara, era moço destemido e corajoso; defensor aguerrido da monarquia: Não por capricho ou interesse pessoal, mas por estar convencido que era o melhor regime para a Pátria.

Tinha vinte e um anos – então a maior idade, – e tanto evidenciou-se, e tanto lutou pela causa que abraçara, que acabou por ser preso, arguido como perigoso conspirador.

Meteram o nosso Thomaz numa enxovia, que tinha sido recusada, pelos veterinários, para estábulo!… juntamente com outros políticos e presos de delito comum.

Habituado aos carinhos da mãe, a Senhora Dona Eugénia de Mello Breyner da Câmara, o rapaz acalmou a sua ira, e mostrou-se: “Muito encolhido e calado”, palavras do jornalista Pedro Correia Marques.

Deram-lhe, então, o número: “2099”; proibindo, determinantemente, receber visitas. Nem a mãe, mulher de D. João da Câmara, nem o famoso médico, seu tio Tomás Mafra, apesar da influência que tinham, conseguiram permissão de o visitar.

Decorrido dias, depois de ser submetido a severo interrogatório, foi julgado e absolvido; levaram em conta o facto de ter sido bastante afetado, psicologicamente, durante o período que esteve preso. Resolveu Thomaz da Câmara exilar-se – seguindo o exemplo de muitos jovens portugueses, – para a Bélgica, onde estudou.

Regressou, mais tarde, ao País, e conseguiu empregar-se na Carris.

Mas, em dia de greve, greve de ânimos exaltados, com tiros e bombas, o nosso rapaz, saltou para elétrico, e sozinho, “passeou” por Lisboa!…

Essa aventura, obrigaram-no a emigrar para o Brasil, onde veria a falecer com oitenta anos, como figura eminente e respeitada, da colónia portuguesa.

Era diretor e proprietário do conceituado Colégio Padre António Vieira, no Rio de Janeiro.
Thomaz da Câmara era o filho mais novo do célebre dramaturgo D. João da Câmara, Homem de extraordinárias qualidades morais, e figura querida no meio literário e artístico de Lisboa.

A atriz Maria Mattos, tinha por ele (D. João da Câmara,) grande admiração, e, quando se sentia preocupada, ia junto do túmulo, rezar e pedir-lhe auxílio.

Para terminar, apenas dizer: que Thomaz da Câmara faleceu no dia 26 de Abril de 1970, no Rio, vitima de atropelamento, quando saia do seu estabelecimento de ensino.