Em frente do presépio

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Igreja em saída

Nasceu para todos o Salvador
1. A notícia do acontecimento, “grande alegria para todo o povo” (Lc 2, 10), foi anunciada, em primeira mão, pelo Anjo do Senhor a humildes pastores: “Hoje nasceu para vós o Salvador” (Lc 2, 11).
Jesus Cristo “nasceu pobre entre os pobres; do lado de fora da morada dos homens, no abrigo de animais, e foi reclinado numa manjedoura.
O Natal significa que Jesus nasceu, e que com Ele se revelou o infinito amor de Deus: O Menino que vemos deitado na manjedoura é Deus feito homem, que partilha a nossa condição humana. Nasce a esperança para a Humanidade. (98)

Em silêncio diante do presépio
2. O Papa Francisco convida as pessoas a parar diante do presépio.
Quem está lá? Nossa Senhora “a jovem do Sim”, São José “ o protector de Jesus e Maria”. Ao anúncio do Anjo, e com “grande alegria” os pastores” acorreram logo à gruta” onde estava o Menino, e depois, foram dizer a todos o que tinha visto e ouvido”.
Não mundanizemos o Natal! Não ponhamos de lado o Festejado”, afirmou o Papa. É necessário fazer silêncio diante do presépio. O Natal é Deus connosco. Natal é celebrar um Deus, que nos desafia a acolher “as surpresas do céu”.
“Não será Natal se procurarmos as montras luminosas deste mundo, se nos enchermos de presentes, almoços, jantares e não ajudarmos pelo menos um pobre, que se parece com Deus, porque no Natal Deus chegou pobre”, acrescentou Francisco.

Acolhimento e encontro pessoal com Jesus
3. O Bispo de Santarém, D. José Traquina. afirma que o «acolhimento» é condição para que «haja Natal» e o bispo do Porto, D. Manuel Linda, quer proximidade à “pobreza e solidão”. “Tantas famílias e pessoas na pobreza insuportável e na solidão que não se compreende; estejamos com elas, batamos-lhes à porta, levemos um sorriso, um carinho, e, porventura o que lhes faz falta na mesa”, apela.
O Menino Deus está onde as pessoas se amam, se respeitam e se perdoam, pois Ele não pode permanecer em lugares onde não há acolhimento, refere D. António Moiteiro. O Natal convida-nos a descobrir os sinais da presença do Filho de Deus que habita no coração de cada ser humano.
Não pode haver Natal sem o encontro pessoal com a Pessoa de Jesus. Se não nos deixamos surpreender por Jesus é porque lhe fechamos a porta.
Para celebrar o verdadeiro Natal, temos de nos deixar interpelar pelo outro, principalmente pelo que sofre. Deixemos Jesus entrar na nossa vida.

Natal é uma surpresa de Deus
4. Nós cristãos somos enviados a anunciar a Boa Nova aos pobres, aos excluídos da sociedade, aos que vivem nas periferias.
Papa Francisco alerta para a cada vez maior perda de significado desta quadra festiva na sociedade. Muitas pessoas “preocupam-se com tantas coisas que, no final, fazem com que esta quadra de Natal não seja uma festa. Perderam “a capacidade de se maravilhar diante dos dons de Deus, das suas surpresas”, quando o maior presente, a maior surpresa que é Jesus”,
D. Manuel Linda, bispo do Porto, aponta a “lição do presépio”: com o anúncio do anjo juntam-se os pastores e os reis do Oriente e a “solidão completa e a pobreza total transformam-se em convívio, como os nossos presépios representam, e nas prendas que alimentam o menino e família”.
“Natal é desforra da humildade sobre a arrogância, da simplicidade sobre a abundância, do silêncio sobre o tumulto, da oração sobre o “meu tempo”, de Deus sobre mim”, insistiu Francisco.
Diante do presépio, acolhamos a surpresa de Deus.

O Messias salva toda a criatura
5. Com Seu nascimento surge uma vida nova. Os cristãos colocam-se ao serviço de quem mais necessita de sua ajuda. Pobres são também os que sofrem em busca de um Deus que rejeitaram.
A Igreja chama a atenção dos cristãos para seguirem caminhos de unidade, de amor fraterno, de felicidade, de paz e de harmonia. O Senhor vem para nós e para fazer nova toda a criatura.
Disseram os profetas: o Messias salvará do pecado o homem, o mundo e a história. Paulo anima os Tessalonicenses a progredirem na vida cristã: “Crescei e abundai em caridade” para com todos, “progredi” numa “santidade irrepreensível”. D. Anacleto de Oliveira, bispo de Viana do Castelo, destaca uma agenda de Natal e de Ano Novo marcada pelo lema ‘Somos Igreja que Evangeliza’. Evangelizar com palavras, mas acima de tudo com a própria vida, à imagem do próprio Cristo”.

Jesus defendeu a dignidade da pessoa humana
6. O bispo de Santarém, D. José Traquina, afirmou que “o Natal celebra a chegada d’Aquele” que defendeu “a dignidade de cada pessoa”. Mas “a ‘Palavra’ de Jesus foi ‘desprezada’ e, por isso, “não faltam no mundo ‘reinos’ de mentira, injustiça, indiferença, ódio e incapacidade de amar” que atingem milhões de pessoas. “O Natal pede o acolhimento d’Aquele que nos pode dar a paz, de uma outra proposta, uma nova luz, um outro olhar, uma nova contemplação, um novo sonho, uma nova consideração pelos nossos semelhantes”, desenvolveu na mensagem de Natal.

A pessoa deve estar primeiro
7. Trabalhadores cristãos pedem «proximidade concreta e palpável» para quem passa dificuldades em Portugal
A LOC-MTC recorda os “trabalhadores precários”, e em especial os “jovens”, cuja “situação não lhes permite acesso à vida social, à cultura, à saúde, à possibilidade de arrendar uma casa ou a constituir família”.
E pede um maior envolvimento da Igreja Católica, através dos seus “religiosos, padres e bispos”, para através dos valores cristãos contribuir para uma mudança de paradigma no mundo laboral, atualmente baseada quase exclusivamente na produtividade e no lucro.
“Muita da desumanização, frieza e desconsideração vem de pessoas que reduzem a atividade do trabalhador a números, a ganhos, a estatísticas, a questões de poder. A pessoa está primeiro”, acentuam. (964)