Beata Nemésia Júlia Valle — 18 de Dezembro

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Por Olívia Rodrigues

Júlia nasceu, a 26 de Junho de 1847, em Aosta, Itália. Pouco contacto teve com a mãe, pois esta faleceu ao dar à luz o seu segundo filho: a menina contava, então, quatro anos de idade.

As crianças foram entregues aos cuidados, primeiro, dos avós paternos e, depois, dos maternos, voltando o pai a casar-se. Recebeu sólida educação cristã e formação no Colégio das irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret, em Besaçon, França, onde entrou, aos onze anos, e saiu aos dezasseis anos. Ali aprendeu bem a língua francesa, dedicou-se às artes e preparou-se para ser boa dona de casa, conhecimentos que, lhe viriam a ser muito úteis, futuramente.

O regresso à casa paterna, agora noutra localidade – Pont Saint-Martín – foi decepcionante: encontrou um ambiente pesado e difícil de lidar que, a fez isolar-se; como a congregação religiosa, cuja escola frequentara se estabeleceu perto da sua residência, foi aí que se socorreu. As irmãs apoiaram-na da melhor forma possível e, Júlia decidiu ingressar naquele instituto, fazendo, a seu tempo, os votos perpétuos e, tomando o nome de Irmã Nemésia.

Dedicou parte da sua vida ao ensino da língua francesa e de artes no Instituto de São Vicente, em Tortona, onde permaneceu largos anos. Não descurava, porém, o apoio aos mais necessitados, aos órfãos, aos doentes, aos soldados; para todos eles tinha palavras de consolo e de esperança.

Treze anos antes de falecer, a 18 de Dezembro de 1916, foi enviada à casa provincial de Borgaro, nos arredores de Turim, como mestra de noviças. Se antes, as alunas do Instituto de Tortona lhe tinham muita estima, estas raparigas que, viriam a ser religiosas, não lhe ficaram atrás: o método de formação seguido, não condizente com o feitio da superiora provincial, baseava-se no respeito, consideração e amor dispensado a cada uma das educandas; de inovador não tinha nada, mas não deixou de lhe causar sofrimentos e humilhações vários. Somente as noviças a entendiam bem: “Ela conhecia cada uma de nós, compreendia as nossas necessidades, tratava-nos de acordo com a nossa maneira de ser, pedia aquilo que conseguia fazer-nos amar”.

Esta Irmã ímpar, nunca vacilou: a intimidade com o Senhor assente sobre rocha, foi a força capaz de ultrapassar mágoas e seguir em frente, sempre bem-disposta e, aconselhando: “De estação em estação, percorramos o nosso caminho no deserto. Se a noite, o deserto e o silêncio são surdos, Aquele que te criou escutar-te-á sempre. Estejamos alegres, santamente alegres! Canta, canta sempre! Não te inquietes: cuida do presente!”

A Irmã Nemésia Valle foi beatificada, a 25 de Abril de 2004, em cerimónia presidida por São João Paulo II. Os seus restos mortais são venerados na igreja do Instituto em Borgaro.