Beatos Frei Redento da Cruz e Frei Dionísio da Natividade — 29 de Novembro

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Por Olívia Rodrigues

Tomás Rodrigues da Cunha – Frei Redento da Cruz –, de origem portuguesa e nobre, nasceu no ano de 1598, na freguesia de Cunha, Paredes de Coura. Foi educado como todos os jovens da sua classe: sólida formação cristã e eficiente instrução na carreira das armas.
A sua vida de aventuras começou na Índia para onde partiu, aos dezanove anos, e se notabilizou como guerreiro destemido e valente, simpático e expansivo; características que, lhe valeram o desempenho dos cargos de cabo de esquadra e capitão da praça de Meliapor, no estado de Tamil Nadu.

Ao longo das suas digressões, e na cidade de Thatta, Paquistão, conheceu uma comunidade de Carmelitas Descalços que, o encantaram pela sua vida alegre e comunicativa, despertando-lhe o desejo de ingressar na Ordem. Entrou, imediatamente, em contacto com o prior do convento, ficando este o mais surpreendido possível, pois achava que um homem de armas, como aquele, bem-sucedido e respeitado, só poderia estar a viver um momento de pura ilusão. Tomás da Cunha acabou por professar, tomando o nome de Frei Redento da Cruz.

Permaneceu algum tempo no mosteiro de Diu, onde desempenhou as tarefas mais humildes, passando depois para o de Goa como porteiro e sacristão.

Muito estimado, para todos tinha uma palavra de encorajamento, uma graça para contar, ou uma esmola para dar. No momento em que teve de sair foi uma dor imensa, tudo tentaram para o demover, mas em vão, o frade-guerreiro tinha de partir para o martírio, era essa a vontade de Deus.

Quanto a Frei Dionísio da Natividade, antes Pedro Berthelot, nasceu em França, no ano de 1600. Do mesmo modo que Tomás Rodrigues da Cunha, também, este se iniciou na carreira militar, mas como navegador na Índia, nas armadas francesa e holandesa, granjeando fama de bom profissional; chegou, mesmo, ao posto de piloto de caravela. A certa altura do percurso, colocou-se ao serviço dos portugueses, sendo nomeado Piloto-mor e Cosmógrafo das Índias.

Frequentador assíduo da igreja do convento onde residia Frei Redento, fez amizade com o Irmão Filipe da Santíssima Trindade, cujo exemplo o fez consagrar-se ao Senhor na Ordem Carmelita, onde professou, tomando o nome de Frei Dionísio da Natividade – estava-se na véspera de Natal – e recebeu a ordenação sacerdotal em 1638.

Depois da entrada na vida religiosa, o Piloto-mor e Cosmógrafo das Índias foi solicitado pelo governo português em duas ocasiões: 1636 e 1638 para comandar a respectiva expedição, a fim de defender as concessões lusas naquele país. O prior acedeu mas, enquanto que na primeira missão, as coisas correram bem, na segunda, devido à traição de rei de Aceh, a armada portuguesa foi detida e todos os tripulantes, cerca de sessenta, foram feitos prisioneiros e, posteriormente, martirizados.

Neste grupo, encontrava-se Frei Redento da Cruz, o frade que, Frei Dionísio solicitara ao prior permissão para o acompanhar. A decisão não foi, de todo, fácil pois o povo habituado ao porteiro do mosteiro nutria por ele, sincera amizade e, ao mesmo tempo, receava a falta de êxito da expedição como, na realidade, aconteceu.

Consciente, mas simultaneamente esperançado, Frei Redento disse ao partir: “Vamo-nos que tenho de ser mártir”. De facto foi o primeiro a sofrer o martírio e a decapitação; e Frei Dionísio da Natividade, o último do grupo, tendo tido a oportunidade de a todos incentivar e fortalecer.

Estes dois Irmãos Carmelitas Descalços foram os primeiros mártires da Ordem a serem beatificados. A cerimónia teve lugar em Roma, e foi presidida por Sua Santidade o Papa Leão XIII, no ano de 1900.