Beato Vicente Eugénio Bossilkov — 11 de Novembro

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Por Olívia Rodrigues

Vicente nasceu, a 16 de Novembro de 1900, em Belém do Danúbio, Bulgária. Os pais, camponeses pobres, educaram os filhos segundo a sua formação católica romana.

Desde muito cedo, revelou grande inteligência e vocação para o sacerdócio, que veio a concretizar-se no ano de 1926, depois de ter frequentado o seminário e ingressado na Congregação dos Padres da Paixão de Jesus Cristo – Missionários Passionistas – em 1920, tomando o nome de Eugénio.

Iniciou a sua actividade pastoral na Diocese de Nicópolis, cujo bispo pertencia ao seu Instituto, desenvolvendo importante trabalho junto das famílias, dos jovens, dos pobres, dos órfãos e viúvas e dos doentes, sendo respeitado e amado por todos.

Grande defensor da Igreja Católica; muito se esforçou pela aproximação entre esta e a Ortodoxa Russa, angariando muitos amigos mas, também, lavrando a sua própria pena de morte. Por este ideal deu a vida, a 11 de Novembro de 1952, em Sofia.

A eleição do Padre Eugénio, em 1947, para Bispo da Diocese de Russe, não foi surpresa; ninguém exerceria aquele cargo melhor do que ele: perfeito conhecedor das necessidades dos fiéis e possuidor de capacidades extraordinárias, era o homem certo para o momento importante, e ao mesmo tempo grave que, o povo atravessava.

A Bulgária encontrava-se sob o domínio comunista russo que, desde 1944, iniciara forte perseguição à Igreja de Cristo, tentando, a todo o custo, liquidá-la através: do encerramento de escolas, de orfanatos, de hospitais e de obras sociais orientadas por ordens monásticas; da proibição de manifestações públicas e dos feriados religiosos; do não reconhecimento do Santo Padre como seu representante supremo.

Mesmo, prevalecendo no país a doutrina ortodoxa, o pequeno grupo de católicos manteve-se unido e fiel, desafiando, assim, o regime stalinista que, não se fez esperar, ordenando a adesão àquele culto, ou a condenação à pena capital.

D. Eugénio Bossilkov não se deixou levar por promessas vãs, apesar de muitos o terem aconselhado a rejeitar os seus princípios, contudo, a forte ligação à Paixão de Cristo decidiu por ele: foi preso, em Julho de 1952, torturado e condenado ao fuzilamento.

Enquanto permaneceu no cárcere, teve oportunidade de apoiar e de rezar com os companheiros de infortúnio, além de escrever a alguns dos amigos, especialmente, ortodoxos. É dele esta passagem inserida numa das cartas: “Não vos preocupeis comigo; eu estou assistido pela graça de Deus e permaneço fiel a Cristo e à Igreja”.

Embora todos soubessem do sucedido, até 1975, foi dado oficialmente como desaparecido e mantido como Bispo de Russe. Só naquele ano, o governo búlgaro conseguiu confirmar o óbito, através do acesso aos arquivos e ao relatório do fuzilamento.

O Papa São João Paulo II beatificou, a 15 de Março de 1998, na Praça de São Pedro, o “primeiro mártir do século XX da Europa de Leste”, morto por se manter fiel à Igreja e ao Santo Padre.

Na mesma cerimónia, uma das sobrinhas de D. Eugénio Bossilkov ofereceu ao Pontífice Romano, como relíquia, um pedaço da camisa ensanguentada que, o tio usava no momento da execução.