São Frei António de Sant’Anna Galvão — 25 de Outubro

0

Por Olívia Rodrigues

António nasceu, a 10 de Maio de 1739, em Guaratinguetá, são Paulo, Brasil, numa família com prestígio social e político, sendo o pai português, de Faro, e a mãe natural daquele mesmo Estado.

Todos os filhos do casal receberam esmerada educação e formação, este, em particular, frequentou o Colégio dos Padres Jesuítas, na Bahia, onde lhe nasceu o desejo de se consagrar ao Senhor.

A decisão foi bem aceite pelos progenitores, mas o pai opôs-se à sua entrada na Companhia de Jesus, devido à perseguição movida às ordens religiosas pelo Marquês de Pombal, em especial àquele Instituto; por isso António ingressou no mosteiro franciscano de Macacu, onde fez o noviciado e a profissão religiosa.

O estudo da Filosofia e da Teologia, e a ordenação sacerdotal tiveram lugar no Convento de São Francisco, no Rio de Janeiro, onde passou grande parte da sua vida: pregando, confessando, exercendo os trabalhos mais humildes, como por exemplo: porteiro, apoiando os mais pobres, os mais humildes, os desavindos, as crianças …

Frei Galvão, “O homem da paz e da caridade”, assim definido pelo senado brasileiro, não se poupou a sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios e para denunciar situações que, considerava lesivas e lhe valeram a condenação ao exílio, pena revogada devido à rebelião do povo.

A acção deste homem “sábio e prudente” não se ficou por aqui: em 1774, na cidade de São Paulo, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência, mais conhecido por Mosteiro da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição, escrevendo os respectivos estatutos e, tomando a seu encargo a formação e orientação das religiosas durante largos anos, dando sempre especial relevância à espiritualidade, mas também à caridade que, deveriam possuir dentro e fora da comunidade.

Quando a idade e a doença o fragilizaram, ao ponto de não se poder deslocar entre o Convento e o Recolhimento, fixou residência neste último até à sua morte, ocorrida a 23 de Dezembro de 1822. Na capela-mor da igreja deste mosteiro, ficaram depositados os restos mortais do religioso, grande devoto de Nossa Senhora da Conceição, respeitado por todos, incluindo altas individualidades civis e eclesiais mas, sobretudo, muito amado pelo povo, a quem oferecera toda a sua longa vida.

O Frade Menor, “pacificador das almas e das famílias, dispensador de caridade sobretudo aos pobres e aos doentes”, foi beatificado e canonizado, respectivamente, em Roma, a 25 de Outubro de 1998, e, a 11 de Maio de 2007, por São João Paulo II e por Sua Santidade o Papa Bento XVI.

O povo brasileiro venera, de forma especial, este seu primeiro santo, não só em São Paulo, Estado onde nasceu e exerceu toda a sua actividade de caridade, bondade e delicadeza para com os irmãos, mas também por todo o país.