Beata Chiara Luce Badano — 7 de Outubro

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Por Olívia Rodrigues

A 29 de Outubro de 1971, em Sassello, Itália, nasceu Chiara, a menina que, os pais, insistentemente, pediram ao Senhor durante onze longos anos.

A sua curta vida foi, em tudo, semelhante à de muitos jovens da mesma idade: estudou, fez desportos – ténis, ski, natação – ouviu música, conviveu com os amigos, praticou as Obras de Misericórdia, frequentou a Igreja e foi filiada no Movimento dos Focolares.

A diferença, se é que de diferença se trata, manifestou-se na total aceitação da vontade de Deus, em tudo o que lhe aconteceu, ao longo da sua existência: no início, com algumas reservas, depois, mais facilmente, e por fim, em pleno.

O seu modo de vida deve-se, em primeiro lugar, à educação cristã que recebeu dos pais; e em segundo, à participação, quando tinha apenas nove anos, no encontro Familyfest do movimento a que pertencia. Este evento marcou-a de tal maneira que sobre ele escreveu: “Passei a ter uma nova visão do Evangelho, agora quero fazer deste livro o único objectivo da minha vida”.

O certo é que assim procedeu: quer fosse em casa, na escola, no desporto ou nas festas, as coisas passaram a ser vistas de outra forma; com os olhos do Senhor, valorizando tudo o que estava ao seu alcance e, oferecendo, generosamente, a Deus conquistas e sofrimentos.

Este estado de espírito ajudou-a a encarar a doença: um osteossarcoma que muito a fez padecer, sobretudo, as terapias dolorosas, mas em vão; o tumor era muito grave e impossível de sarar.

No início foi um choque, mas Chiara, rapidamente, entendeu que podia valorizar a sua dor entregando-se, nobremente, àquele a quem tanto amava: “Por ti, Jesus, se Tu queres eu também quero!”.

Esta jovem, de dezoito anos, manteve sempre uma natural boa disposição; os amigos quando a visitavam diziam: “…entrando no seu quarto sentíamo-nos projectados na aventura maravilhosa do amor de Deus”.

Consciente da importância do seu sofrimento junto do Senhor, a Ele o ofereceu por completo e em pleno uso da razão; não aceitou a morfina porque: “…tira a lucidez, e a dor é a única coisa que eu posso oferecer a Jesus. É só o que me restou”.

A 7 de Outubro de 1990, depois de se despedir do pai e aconselhar a mãe: “Mamã, seja feliz, porque eu o sou!” partiu, serenamente, para o Céu, mas sem antes ter deixado um belo testamento à juventude: “Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr, mas quero passar a tocha para eles, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma única vida e vale a pena usá-la bem!”.

Chiara Luce Badano teve uma vida vulgar, tão igual à de muitos de nós; o extraordinário, o que a levou às honras dos altares, foi a forma como a conduziu e a soube entregar ao Senhor, nada que não possamos imitar. E o conselho que deixou aos jovens, terá sido só para eles, ou também para os menos novos?

A cerimónia de beatificação ocorreu na Praça de São Pedro, em Roma, repleta de jovens, no dia 25 de Setembro de 2010, tendo sido presidida por Sua Santidade o Papa Bento XVI.