Beato Eustáquio van Lieshout — 30 de Agosto

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Por Olívia Rodrigues

Humberto nasceu, a 3 de Novembro de 1890, em Aarle Rixtel, Holanda; oriundo de uma família cristã, assim foi educado, tal como os oito irmãos.

Menino generoso e piedoso, amigo de partilhar com aqueles que ainda tinham menos do que ele, decidiu o seu futuro facilmente: através da leitura de uma biografia de São Damião de Molokai que, ocasionalmente, lhe chegara às mãos; ficou fascinado com os relatos transcritos e pensava como seria feliz se um dia pudesse partir, em missão, e trabalhar entre os doentes de lepra, tal como aquele santo.

Não foram, para ele, muito fáceis os estudos no Seminário dos Padres dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria mas, com dedicação e persistência tudo venceu. Fez a profissão religiosa a 22 de Janeiro de 1915, tomando o nome de Eustáquio, e a ordenação sacerdotal teve lugar no dia 10 de Agosto de 1919.

Durante alguns anos, exerceu vários cargos como: auxiliar de mestre de noviços, vigário paroquial e sacerdote encarregado do apoio a uma comunidade de famílias de refugiados belgas que, a Primeira Guerra Mundial obrigara a abandonar o seu país, valendo-lhe a condecoração de “Cavaleiro da Coroa” imposta pelo rei da Bélgica.

Entretanto, aproximava-se a concretização do seu grande sonho de menino: em 1924, juntamente, com outros dois padres da mesma congregação, iniciou, em Espanha, o estudo da língua a fim de partirem, em missão, para a América Latina.

O destino foi o Brasil: chegaram a Romaria, a 15 de Julho de 1925, onde exerceram uma intensa acção, assumindo a pastoral do santuário episcopal e das paróquias de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja; de São Miguel de Nova Ponte e de Santana de Indianópolis, sendo a função específica do Padre Eustáquio a de vigário paroquial com prioridade para o atendimento às comunidades da paróquia de Nova Ponte e de todas as suas capelas. No ano seguinte, porém, passou a reitor do santuário; pároco das três paróquias e ainda de Iraí de Minas e Conselheiro da sua Congregação naquele país.

Não foi muito fácil a sua integração: os naturais eram desconfiados, tornava-se necessário captar a simpatia e confiança daquela pobre gente tão carente, não só da Palavra de Deus como de alimento e de apoio; visitava os doentes, ouvia e aconselhava quem o procurava, distribuía bens essenciais, pregava missões populares, reabriu a escola rural e iniciou a construção de um novo santuário.

Uma das suas maiores preocupações era a saúde integral: a da alma e a do corpo, e como a população não tinha meios para ir ao médico, não raras vezes, a aconselhava a valer-se das plantas e remédios caseiros que conhecia. Como, frequentemente, resultavam, começou a ser, demasiadamente, solicitado para este fim, desgastando-se.

Depois de trabalhar, ainda nas paróquias de Poá, em São Paulo e Ibiá, foi transferido para Belo Horizonte, onde chegou já muito debilitado, mesmo assim, ainda iniciou a construção da Igreja dos Sagrados Corações que, não viu concluída.
O Padre Eustáquio van Lieshout, muito fraco, contraiu tifo exantemático, para o qual não havia cura; mesmo assistido no Sanatório Minas Gerais, a partida para o Pai deu-se poucos dias depois, a 30 de Agosto de 1942, após uma vida de total doação aos irmãos.

Aquele, para quem “Amar e fazer amar a Deus”, constituiu a sua vocação, foi beatificado em Belo Horizonte, Brasil, onde repousam os seus restos mortais, a 15 de Junho de 2006, em cerimónia presidida pelo Cardeal D. José Saraiva Martins, legado de Sua Santidade o Papa Bento XVI.