Beato Carlos Maria Leisner — 12 de Agosto

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Por Olívia Rodrigues

Karl nasceu, em Rees, Alemanha, a 28 de Fevereiro de 1915. Os pais, como bons cristãos, assim o educaram.

Aos dezoito anos, partiu para Schoensttat, a fim de poder frequentar o seminário. Aderiu ao Movimento Apostólico de Schoensttat – movimento de renovação religiosa e moral para o mundo, através da Aliança de Amor com Maria, fundado pelo Padre José Kentenich e um grupo de seminaristas preocupados com as possíveis consequências de um governo de características anticristãs.
Carlos, rapidamente, se tornou dirigente da Juventude Masculina da diocese de Münster, e ansiava pelo sacerdócio para poder ensinar aos irmãos os caminhos de Deus, como ele próprio escreveu: “Cristo, Tu me chamas, eu digo, humilde e decidido: Eis-me aqui, envia-me!”

A influência que exercia sobre os jovens, a forte personalidade, o poder de liderança e a defesa de um desenvolvimento sadio e livre para o ser humano, custaram-lhe uma atenção, muito especial, por parte do regime nazi que, cedo o começou a incomodar, assim: em 1939, foi recrutado para o exército onde, devido às péssimas condições, contraiu tuberculose; e pouco tempo depois, foi preso no campo de concentração de Dachau, encontrando-se aí, com o fundador da Aliança de Amor e outros padres seus seguidores.

Naquele sítio, de horror e de extermínio, recebeu a 17 de Dezembro de 1944, a ordenação sacerdotal pelas mãos de D. Gabriel Piguet, Bispo de Clermont-Ferrand, França, estando, também, presente o Padre Kentenich; a cerimónia decorreu numa capela improvisada. A este propósito um jornalista, mais tarde, escreveu: “Em Dachau teve lugar a primeira – e única na história da Igreja – ordenação sacerdotal clandestina de um seminarista a ponto de morrer”.

O Padre Carlos Maria Leisner teve a felicidade de celebrar a sua primeira mas, também última missa, dias depois, a 26 de Dezembro; o perigo do local e a crescente debilidade física não permitiram mais. Na realidade, no dia 4 de Maio de 1945, foi libertado, pois o regime receava que morresse ali e os jovens o proclamassem herói. Foi internado no Hospital de Planegg, em Munique, onde viria a falecer, a 12 de Agosto de 1945.

Já nada era possível fazer, o estado avançado da doença e os sofrimentos causados pelos martírios a que o haviam sujeitado, encaminharam-no para o fim da vida. Soube, contudo, aproveitar aquele tempo precioso, aos olhos de Deus, a quem tudo ofereceu pela salvação do mundo, especialmente, pelos que o torturaram; a prova encontra-se na última frase que foi capaz de escrever no seu diário: “Abençoai, oh Senhor, também os meus inimigos!”.

Apoiado na oração, na meditação, na leitura dos textos sagrados, e sob a protecção de Nossa Senhora conseguiu manter-se sempre fiel ao seu ideal: “Cristo é a minha paixão!”, transformando-se em modelo, não só, para os seguidores do Movimento Apostólico de Schoensttat – Aliança de Amor – mas para todos os cristãos.

A cerimónia da sua beatificação, a 23 de Junho de 1996, teve lugar no Estádio Olímpico de Berlim, repleto, e foi presidida por São João Paulo II que, muito elogiou a coragem deste jovem sacerdote. Também, na deslocação que fez à Alemanha, Sua Santidade o Papa Bento XVI celebrou a Eucaristia, a 22 de Setembro de 2011, no mesmo complexo desportivo, não deixando de destacar o exemplo do seu, tão ilustre, conterrâneo.

Os restos mortais deste beato, invocado pelos perseguidos pela sua fé, encontram-se na cripta de Xanten, Alemanha.