Beata Eugénia Picco — 7 de Setembro

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Por Olívia Rodrigues

Eugénia nasceu, em Milão, Itália, a 8 de Novembro de 1867, numa família culta e bem colocada socialmente, mas pouco crente. O pai era músico de renome, no “La Scala” de Milão, e a mãe uma senhora frívola a quem só importavam viagens, êxitos e dinheiro.

A menina, praticamente, foi educada pelos avós, quase sem contacto com os progenitores devido às constantes digressões destes.

Se a formação cristã não fez parte da sua educação, o mesmo já não aconteceu com a académica: aprendeu música, canto, línguas e tudo o mais que, aos olhos da mãe, a transformasse numa cantora célebre, a fim de poderem manter a vida luxuosa de que, aquela tanto gostava.

A situação infeliz de Eugénia agravou-se, após uma viagem, da qual a progenitora regressou sozinha, informando que o marido havia morrido. O certo é que a jovem nunca mais soube do pai e foi obrigada a ter que conviver com o amante da mãe, pessoa, moralmente, mal formada e violenta que a maltratava.

Passou a refugiar-se, com frequência, na Basílica de Santo Ambrósio, onde comunicava com um Deus, praticamente, desconhecido para ela, mas com O qual se sentia confortada, até que numa tarde de Maio, percebendo a voz íntima do Senhor, decidiu fugir de casa e pedir acolhimento na Congregação das Pequenas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Ali, preparou o seu futuro como religiosa, emitindo os votos perpétuos em 1894.

Dedicou, praticamente, toda a sua vida à promoção humana da mulher: através do ensino da música, do canto e do francês às alunas do colégio; da formação das noviças como mestra; do apoio às irmãs, exercendo os cargos de Secretária Geral, Conselheira e Superiora Geral; nunca descurando a ajuda aos doentes, aos pobres e aos marginalizados.

O intenso e importante trabalho que desenvolveu, contribuiu para a consolidação definitiva da sua Congregação.

Considerada modelo de: piedade, zelo, prudência, espírito de sacrifício e sabedoria e exemplo de virtudes; apoiava-se na oração e no seu grande amor – Sagrada Eucaristia – centro de piedade e de alimento mas, também, de alívio para os dias “mais pesados”.

Possuidora de extrema humanidade e de dedicação aos irmãos, assim o exigia que fosse a sua própria vida: “Como Jesus escolheu o pão, algo tão comum, assim deve ser a minha vida, comum… acessível a todos e, ao mesmo tempo, humilde e escondida, como o é o pão”.

Apesar de muito débil, a sua saúde agravou-se nos últimos anos através de uma tuberculose óssea e amputação de uma das pernas – nunca disse não às solicitações do Senhor que, muitas vezes, bem dolorosas foram.

Eugénia Picco, a menina que, a mãe queria ver como uma artista de renome, mas que os maus tratos infligidos pelo padrasto, a conduziram aos caminhos do Senhor, partiu para o Céu, a 7 de Setembro de 1921, com fama de santidade. O Papa São João Paulo II beatificou-a, em Roma, a 7 de Outubro de 2001.