Beato Tito Brandsma — 27 de Julho

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Por Olívia Rodrigues

Anno nasceu na Frísia, Holanda, a 23 de Fevereiro de 1881. A família, de pequenos agricultores, transmitiu-lhe sólida formação cristã, ao mesmo tempo que o preparava para a vida prática futura – o trabalho no campo.

Revelando sempre fraca saúde e, atendendo a que os desígnios de Deus, por vezes, não coincidem com os dos homens, estudou e, aos dezassete anos, ingressou na Ordem Carmelita, recebendo a ordenação sacerdotal em 1905 e o nome de Tito, homenageando, desta forma, o pai seu modelo.

Doutorou-se em filosofia, na Universidade Gregoriana de Roma, dedicando-se ao ensino desta disciplina e, também de história, em vários liceus e na Universidade Católica de Nimega, onde foi eleito “Reitor Magnífico”.

Mais tarde, dedicou-se ao jornalismo e à publicidade; viajou pela Europa e América, tendo sido nomeado, em 1935, Consultor Eclesiástico e Assistente Nacional dos Jornalistas Católicos.

A sua vida começou a perigar com a implantação do regime nazi na Alemanha e a consequente perseguição aos judeus. Não podendo calar tamanha injustiça, publicou um artigo reprovando-a, veementemente. A situação agravou-se ainda mais: com a invasão da Holanda por aquele partido, e a sua inclusão num grupo de jornalistas encarregados de levar a todas as redacções as exigências anticlericais. As ordens tinham de ser acatadas, e o seu não cumprimento resultaria ou no encerramento das instalações ou na perda da própria vida.

O Padre Brandsma acabou por ser detido pela Gestapo, no dia 19 de Janeiro de 1942, e submetido a inúmeros interrogatórios e torturas, resistindo, heroicamente a tudo, incluindo às más condições das prisões por onde passou.

No campo de concentração de Dachau, e já muito debilitado, o sofrimento era atroz; só o imenso amor ao Senhor, a devoção à Virgem e a possibilidade de celebrar a Eucaristia o mantiveram firme. Nunca deixou de animar os companheiros que, o viam como verdadeiro amigo; a eles, muitas vezes, repetia: “Deus não te pede que entendas tudo, mas sim que confies em tudo!”.

No dia 26 de Julho de 1942, foi-lhe dada uma injecção letal e o corpo foi cremado. Quando o mataram, aqueles que com ele tinham convivido exclamaram: “Morreu um Santo!”.

O Papa São João Paulo II beatificou o Padre Tito Brandsma, um dos mártires do nazismo, a 3 de Novembro de 1985.